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O barro que fecha as rachaduras por onde a alegria se esvai – Feliz 2018!

Hoje pensei em escrever um post de ano novo. Um pouco fora do padrão de um blog de gastronomia, onde o assunto principal é comida. Mas peço que considerem que nossa alma também precisa ser alimentada. Mesmo tentando não posso apagar a psicanalista que há em mim que sobre tudo reflete e analisa.
Onde foram parar nossas resoluções de ano novo de 2017, 2016, 2015…? Agora temos resoluções novinhas em folha e estamos na fase aquecida onde se pensa desta vez eu vou conseguir. Emagrecer 10 quilos, dar atenção para minha família, aprender outra língua, cuidar da saúde, viajar para algum lugar onde nunca estive, cuidar da carreira trabalhando mais (como se 12 horas por dia não bastassem), jogar mais na mega sena na esperança de ficar ricos e “resolver todos os problemas da vida” e tantas outras que lá por maio já se perderam vazias nas fortes ondas e atropelos da nossa condicionada vida. Marchamos diariamente numa rotina auto imposta que nos impossibilita ver que que nossa única resolução de ano novo deveria ser viver.
Penso que se tirássemos de nós a auto flagelação das cobranças sobre estas coisas poderíamos enxergar a beleza nas curvas dos nossos quadris, na alma daqueles que estão ao nosso lado que chamamos família e amigos e na brevidade dos dias que desperdiçamos nos questionando porque não fizemos isso ou aquilo.
Algumas raras pessoas conseguem viver livres da auto imposição do ideal de perfeição. Outros tantos de nós precisam dar um passeio no barco do Caronte para só então percebermos que esquecemos de levar uma moeda para a travessia. A quem é dada a chance pela vida de retornar do caminho ao eterno Sabbath, como me foi dada, consegue vislumbrar a possibilidade de uma existência plena, se não deixar-se cobrir pelas exigências dos que não tiveram o mesmo encontro. Esta é outra dificuldade pela qual nos autoflagelamos. Passamos muito tempo fazendo o que os outros esperam de nós, ou o que achamos que seria um comportamento adequado, enquanto ser autêntico nos transformaria em pessoas mais felizes, consequentemente mais felizes seriam aqueles que estão ao nosso redor. É claro que existe uma linha delimitante entre a autenticidade e o egoísmo. Descobrir este limite pode ser a chave para mitigar este nosso enraizado gosto por engolir sapos.
Alguns dias atrás escutei uma música de uma cantora francesa que se chama Zas, cujo título é Je veux, que significa “eu quero”. A canção fala do desejo de viver uma vida plena e sem hipocrisias, ressaltando que “coisas” não nos deixam felizes. Utopia? Prefiro acreditar que é possível “chutar o balde” do politicamente correto do que viver como Atlas, pois afinal, já tive a minha cota de sustentar o céu e meus ombros já ficaram demasiadamente doloridos. É tempo de descanso. Parafraseando Zaz, eu quero amor, alegria, bom humor, liberdade e viver com emoção. Esqueça os clichês. Vamos juntos?
Obrigada por estarem comigo em 2017.

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